08 abril 2014

Uma válvula de escape, por favor.

Talvez tudo o que eu precise é de uma válvula de escape, de 5 minutos de descanso pra minha mente, e de 10 horas inconsciente. Longe de tudo e de todos.
Não consigo mais ficar perto de ninguém e nem quero. Eu faço mal pra todos ao meu redor, eu não sou uma boa pessoa nem pra mim mesma. Tenho uma raiva incontrolável e uma calma inexistente.
Ninguém me encanta, me toca, me comove.. Não acho graça nas pessoas, no mundo, na vida, em nada. Todos tem medo de ousar, de ser, de transbordar.. Qual o problema dessa gente? É simples, são conformadas e acomodadas.
Mas e eu? qual é o meu problema? o que essa gente fez pra mim, pra que eu as odiasse tanto? porque eu me tornei assim, tão fria, indiferente, sem nada? Pelo o que vale apena realmente lutar?
Criei um muro tão grande, que me separa do resto do mundo, que agora eu só me sinto presa, sufocada, sem forças.. Eu sinto falta de sentir algo, de ter esperanças, de criar expectativas.. Eu sinto falta de ser eu mesma, só que tudo que eu fiz foi pra me proteger, pra deixar de ser tão vulnerável, mantenho distância das pessoas, pra que elas não possam me tocar tão fundo, ao ponto de eu sentir algo e demonstrar minhas fraquezas, não posso permitir que ninguém me machuque de novo. Eu não suportaria. Eu não consigo me mostrar de verdade pra ninguém, nem eu sei quem sou de verdade. As vezes eu acho que já é tarde demais pra mudar, pra tentar, pra esquecer, pra ir em frente, pra tentar algo, pra lutar, acreditar em algo.. Só que na verdade eu tenho é medo. Só precisava de alguém que me descobrisse. Mas até que ponto a solidão é aceitável? Até que ponto uma pessoa consegue sobreviver sem nada? Até que ponto uma pessoa consegue evitar a própria vida?

Bárbara Martins.